Corpo = Matéria-Prima

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Trecho de “Bela, Engajada e do Laiá, Laiá“, de Armando Antenore, na piauí:

“Uma, duas, três…” Andréia Rocha perdeu as contas de quantas tatuagens possui. Precisa conferir. “Treze!” Para ela, corpo e arte se confundem. Durante dezesseis anos, dedicou-se intensamente às aulas de balé clássico. Também praticou sapateado, jazz, flamenco e butô, embora com menos regularidade. “Por causa da dança, enxergo os membros inferiores e superiores, o torso e a cabeça como matérias-primas que devem ser moldadas e exibidas.”

Esse aprendizado advindo da dança não se manifesta só nas tatuagens, mas no ato político de sair de top less no último Carnaval — é a história que o Antenore narra.

Você é Bom? Você é Corrupto?

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[Vikings, temporada 3, episódio 5, “The Usurper“; script]

Um diálogo em que os personagens não se encaram, não retiram os seus olhos dos jogos da corte, e acabam postulando uma ética tensa, contraditória, dialética:

— Do you think you’re a good man?
— Yes.., I think so… Are you a good man?
— Yes… I think so. Are you corrupt?
— Oh, yes. Are you?
— Uhum…

A bondade como especulação, a corrupção como certeza. Estou convicto de que agirei em meu benefício; suponho que agirei em nome de um ideal. Ou: a bondade concomitante à corrupção; ao passo em que se creem aderentes a certos princípios éticos, cumpridores de certas atividades ou sentimentos que os descrevem como “bons”, sabem-se corruptos, capazes de negar sempre que útil o “ser bom”.

Borderline

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[Penny Dreadful, 1ª temporada, episódio 2, “Séance“]

Uma cena que deu o peso exato ao Dorian Gray da série. Sua postura autodestrutiva e sua intimidade com a doença ficam imediatamente claras quando ele beija a menina que tosse sangue, por causa da tuberculosa. Sua vaidade transparece a cada vez que o flash da câmera fotográfica — nas mãos do fotógrafo contratado para registrar suas transas — estoura. Sua temeridade, a convicção de que nada lhe é proibido porque nada lhe pode atingir, de que pode experimentar tudo, é vívida nessa frase: “Eu nunca fodi uma criatura moribunda”. Mais um espécime para a sua subjetividade. Fico pensando que esse Dorian é mais interessante que o do livro…

Um Discurso sobre a Ciência

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O doutor Frankestein vê uma utilidade e um desafio científicos:

I would never chart a river or scale a peak to take its measure or plant a flag. There’s no point. It’s solipsistic self-aggrandizement. So too those scientists who study the planets seeking astronomical enlightenment for its own sake. The botanist studying the variegation of an Amazonian fern. The zoologist caught up in the endless fascination of an adder’s coils. And for what? Knowledge for itself alone? The elation of discovery? Plant your flag on the truth? There is only one worthy goal for scientific exploration piercing the tissue that separates life from death. Everything else, from the deep bottom of the sea to the top of the highest mountain on the farthest planet, is insignificant. Life and death, Sir Malcolm. The flicker that separates one from the other, fast as a bat’s wing, more beautiful than any sonnet. That is my river. That is my mountain. There I will plant my flag.

[Penny Dreadful, 1ª temporada, episódio 1, “Night Work“; script]

Curando Enfartos Três Minutos por Vez

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Mylene, this business isn’t here to hold your hand. Listen to me. What we do here, it’s fucking essential. It’s like oxygen. When a true artist sings, they don’t hold back nothing. And when you sing like that it raises the dead. The world’s dying of a thousand heart attacks. We heal them up three minutes at a time. It’s a goddamn public service what we do. That’s the only reason to make music. And if you can’t make music like that with doubts. It won’t work. You gotta know.

[The Get Down, 1ª temporada, episódio 3, “Darkness is Your Candle“; script]

Ficção > Vida e Vida > Ficção

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Community, 6ª temporada, episódio 1, “Ladders” (script):

— But a montage is what, Abed?

— It’s a movie apologizing for reality.

Desculpar-se pela realidade — a edição corrigindo o tédio cotidiano, limando repetições, cobrindo falhas.

No sentido inverso, temos uma declaração que Dmitri Nabokov, filho de Vladimir Nabokov, atribui ao pai, no prefácio de O Mago. Nela, o que ocorre na ficção é uma redução ou mesmo uma degradação da vida:

“Para o poeta em Nabokov, o veículo predileto era a experiência artística concreta ao invés da declaração abstrata. Entretanto, se alguém estiver à cata de exemplos de seu credo, o diálogo socrático em miniatura do conto de 1927 intitulado ‘O passageiro’ permite raro vislumbre da essência do seu caráter. ‘A vida é mais talentosa do que nós’, diz o primeiro personagem, o Escritor. ‘Como podemos competir com essa deusa? Suas obras são intraduzíveis, indescritíveis.’ Portanto: ‘Tudo que nos resta é tratar suas criações como um produtor de cinema trata um romance famoso, alterando-o a ponto de se tornar irreconhecível (…) com o único propósito de fazer um filme agradável que se desenrole sem qualquer empecilho, punindo a virtude no começo e o vício no fim, (…) com um fecho inesperado mas que resolva tudo (…). Achamos que o desempenho da Vida é muito impetuoso, muito irregular, que seu gênio é por demais indisciplinado. Para agradar a nossos leitores, extraímos dos romances transbordantes da Vida nossas pequenas e arrumadinhas histórias para benefício de crianças em idade escolar.'”

Vikings e Macbeth

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[Vikings, 2ª temporada, episódio 4, “Eye For an Eye“; script] Aparentemente, duas referências a Macbeth, de Shakespeare. A primeira: o padre apóstata Athelstan abre a Bíblia e vê a figura de Cristo crucificado sangrar; joga o livro ao chão em desespero, e debate as mãos tentando se limpar. Lady Macbeth também esfrega e lava suas mãos sem sossego, pois que as manchas do assassinato que incentivou não se apagam. A segunda, mais improvável: o protagonista, Ragnar Lothbrok, diz que um inimigo lhe roubou o sono, “has taken away my sleep”. Na peça shakesperiana, lemos que Macbeth matou o sono: “Glamis hath murdered sleep, and therefore Cawdor shall sleep no more” (Glamis e Cawdor são territórios sob seu comando). (Relacionado: escrevi sobre Macbeth aqui e aqui.)

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Back when I was about your age, I did a stint in Austin where I could only come home on the weekends for a couple of years, see my daughter before she went off to boarding school. Well, it was supposed to be every other weekend. It didn’t quite work out that way. It never was a full weekend. It was always just one day. I added it up. In that year, I saw my daughter 24 days. That’s not a lot. Total amount of time that I spent with my daughter before she shipped off was 30, 35 days. Drive yourself crazy thinking like that. You know what makes me crazy? I counted up the good weather days I got left. I’m 59, and by the time I’m 80, it came out to 237 good weather days. (…) Time is precious, Frederico. Not just mine, yours and the baby’s. You see your mama? Yeah. How often you see her? Every birthday, every Thanksgiving, every other Christmas. How old is she? You want to know how many days you’re gonna see her before she’s 80? Wait. That’s not a lot, huh? (…) You add it up, you see how you’re spending your life from sunup to sundown, and you make the most of that time. ‘Cause it fleets.

[Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn), 1ª temporada, episódio 1, “Pilot”; script]