Todas as Escolhas são Ruins

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[O Destino Bate à sua Porta, James M. Cain, p. 19-20]

“Vamos esquecer o Grego e cair fora. Vamos embora, e pronto.”

“Pra onde?”

“Qualquer lugar. Que diferença faz?”

“Qualquer lugar. Qualquer lugar. Sabe onde fica isso?”

“Por toda parte. Em qualquer lugar.”

“Nada disso. Fica num restaurante ordinário.”

“Não estou falando de restaurantes ordinários. Estou falando da estrada. É divertido, Cora. E ninguém conhece a estrada melhor do que eu. Conheço cada curva do caminho. E também sei como me virar na estrada. Não é isso o que queremos? Ser só dois vagabundos, pois somos assim mesmo?” (…)

“Não adianta, Frank. A estrada não leva a lugar nenhum, só a um restaurante ordinário. Restaurante pra mim e um emprego qualquer pra você. Num estacionamento imundo, onde vai usar uniforme (…).”

O oposto do otimismo de Alice no País das Maravilhas, em que se lê algo como “se não sabe para onde está indo, todos os caminhos são válidos”. Aqui, a liberdade do indefinido só leva a becos sem saída. Diz-se na orelha deste O Destino Bate à sua Porta que ele acabou inspirando O Estrangeiro, de Albert Camus — faz sentido: é de lá que extraímos o título deste post: todas as escolhas são ruins.

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