“Antígona”, Luciana Lyra

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7/10. Leitura dramática.

  • narrativa

Texto do dramaturgo grego Sófocles, traduzido por Millôr Fernandes. Bem executada, transmite a força do texto. Na história, Antígona se revolta pelo direito de enterrar seu irmão, ato proibido pelo rei, Creonte, por ter ele, o irmão, morrido como inimigo de guerra. Por um lado — é uma leitura comum — trata-se do confronto do indivíduo com o Estado ou de uma representação da autonomia e força femininas. Creio que são lados possíveis, mas menores. O tema central é da precedência da lei divina sobre a dos homens. É esse o argumento de Antígona, é isso que reconhece Creonte.

  • recursos

Olhos nas folhas — toda leitura dramática implica em um certo autismo dramatúrgico, os atores falando uns com os outros olhando para o papel? Figurino — o coro veste calça e casaco sociais e pretos; sem sapatos, tem os pés vermelhos (as mãos também? Não me lembro) de terra? De sangue? Ao mesmo tempo formais e deslocados, regras de sociabilidade e metonímia de uma vivência natural (forço um pouco; tudo isso poderia ser mais bem desenvolvido em uma peça de fato): reforça sutilmente elementos centrais da forma e do conteúdo da peça. Trilha sonora — foram usados instrumentos de percussão de origem africana, o que dá um tom “originário” à representação, mas não sei se acrescenta ou se integra à encenação realmente. Talvez a referência africana pudesse ser aprofundada, em uma subversão maior da obra de Sófocles.

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