“Homens de Solas de Vento”, Cia. Solas de Vento

Posted on Posted in Teatro
  • perfil

7/10. Teatro sem palavras, baseado em gesto e expressão, com recursos do circo.

  • narrativa

Lembra O Terminal — o par de protagonistas também está travados em um aeroporto por conta de algum processo burocrático. Dentro dos limites em que estão, criam domesticidades provisórias. Os personagens se afetuam com o tempo, e acabam por povoar o próprio cotidiano com elementos do cotidiano do outro.

  • recursos

A estrutura circense de acrobacia — os trapézios e outros balanços — é relida com malas suspensas (uma à esquerda, outra à direita do palco, cada qual para um dos atores), uma vassoura amarrada por panos (de um lado), uma rede (do outro). Subir, quase cair, desabar, transitar de uma mala à outra: a cenografia dá chances de exibir as habilidades acrobáticas e fomenta pequenas cenas que perfilam os personagens e avançam a história (como a tragicomédia é toda suspensa no ar, me lembra “parece tão regular voltar pra jantar todos os dias, mesmo que eu sinta a mesa se equilibrar nos fios de alta tensão“). O uso da luz — o holofote pode isolar, a cada vez, um dos personagens para uma cena solo; o apagamento da luminosidade leva o olhar ao outro de imediato. Funciona como, no cinema, a alteração de foco entre frente e fundo. No fim, foi usado com ainda mais eficácia: um ator iluminado, outro de costas, na sombra; o segundo era só a mão burocrática, impaciente, impessoal.

  • acesso

Site Oficial

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *